Como foi viver o sentimento da “Copa do Mundo” na África

Como foi viver o sentimento da “Copa do Mundo” na África

A viagem foi toda planejada faltando poucos meses para a Copa do Mundo. Na verdade a última coisa que me passava pela cabeça era ir à África do Sul, mas tudo isso mudou durante o carnaval de 2010 quando um grande amigo meu, Vladimir Mucury Cardoso, me disse que iria à Copa do Mundo e que tinha dois ingressos sobrando para vários jogos, incluindo uma semifinal, uma quarta de final e duas oitavas de finais – a maioria das quais o Brasil provavelmente participaria. Foi o bastante para que eu e outro amigo, Mauricio Herzog, iniciássemos uma extensa pesquisa para ver quanto custaria uma brincadeira dessas.
Eu, Mauricio e amigos de viagem confraternizando com seguranças sul-africanos em Johannesburgo
Para nossa surpresa o voo não estava caro, pelo menos considerando o que havíamos contemplado de início. A situação dos hotéis era um pouco mais complicada, pois já havíamos ouvido que as poucas opções disponíveis apresentavam preços exorbitantes. No entanto, o Mauricio acabou achando quartos a preços bastante razoáveis na rede Formula 1 em Johannesburgo e Cape Town, e eu acabei encarregado de buscar as opções para Port Elizabeth, onde o provável jogo de quartas de finais do Brasil seria realizado. Não demorou até que formalizássemos tudo e acertássemos nossa ida para África do Sul.
Mauricio e eu saímos do Brasil no dia 17 de Junho, após o primeiro jogo do Brasil – o Vladimir já havia marcado a viagem dele antes da gente, então acabamos pegando voos e tendo itinerários na África do Sul um pouco diferentes, nos encontrando quando pudéssemos. Nossa ida foi marcada pela grata surpresa que tivemos em relação à South African Airways e por minha teimosia em não ouvir os conselhos do Mauricio em relação a comprar um daqueles travesseiros de pescoço para a viagem – na verdade o pior foi eu sacaneá-lo por, além do travesseiro, ainda contar com tapa-ouvidos, o que acabou resultando no fato dele conseguir dormir a noite toda enquanto eu tentava, sem sucesso, desviar minha atenção do falatório típico dos grupos empolgados de brasileiros quando viajam ao exterior. Chegando a Johannesburgo ficamos impressionados com a beleza e organização do aeroporto: não enfrentamos nenhuma fila, nossas malas não demoraram, e haviam quiosques automatizados para a retirada dos ingressos dos jogos ali mesmo na saída do saguão de desembarque. Depois disso fomos buscar o carro que havíamos alugado e que nos colocou em algumas situações de risco ao longo dos primeiros dias, já que ou eu ou o Mauricio berrávamos aleatoriamente quando, por alguns centésimos de segundo, achávamos que estávamos entrando no lado errado das ruas.
Chegando são e salvos no hotel (após nos perdermos, cortesia do Google Maps),  logo entendemos porque nossas diárias haviam sido tão baratas: o quarto era praticamente um cubículo, com uma beliche e um chuveiro literalmente no meio do quarto e uma privada praticamente embaixo do chuveiro. Posteriormente descobriríamos que esse era o padrão da rede, pelo menos na África do Sul, pois nosso quarto no Formula 1 de Cape Town não era lá muito diferente. Enfim, deixamos as malas no hotel e rumamos para o estádio Ellis Park, onde vimos os Estados Unidos empatarem com a Eslovênia em 2×2. No dia seguinte fomos conhecer Pretoria e acabamos comprando dois ingressos que haviam sobrado de um grupo de dinamarqueses para acompanhar a vitória da Dinamarca contra Camarões por 2×1 – este jogo foi marcado pelo fato de termos integrado com louvor a torcida dinamarquesa, inclusive entoando o que entendíamos das canções, mesmo sem saber se o que cantávamos insultava alguém ou não.
Eu e Mauricio assistindo Estados Unidos x Eslovênia
Pré-jogo Dinamarca x Camarões em Pretoria (eu e Mauricio)
Eu e Mauricio fazendo parte da torcida dinamarquesa no mesmo jogo
No dia 20 de Junho encontramos o Vladimir e seu grupo em Johannesburgo para vermos Brasil x Costa do Marfim, também no Ellis Park. No dia seguinte após visitarmos o impressionante Museu do Apartheid, Mauricio e eu seguimos para Cape Town já que queríamos conhecer melhor aquela região, enquanto Vladimir e seu grupo seguiram para Durban para acompanhar Brasil x Portugal no dia 25. E não demorou muito para nos encantarmos com a cidade, absurdamente linda!
Aproveitamos os próximos dias para irmos até Cabo da Boa Esperança e visitarmos algumas atrações turísticas locais, sempre alternados com visitas ao FIFA Fan Fest e bares locais para ver os jogos – e de fato uma das melhores recordações que tenho da viagem e do clima de copa do mundo, era justamente a confraternização de torcedores de todos os cantos do mundo nestes bares. No dia 24 fomos ver a Holanda vencer Camarões apertado, por 2×1, e achamos que a Holanda teria vida curta na Copa…
Eu, Vladimir e Mauricio antes de Brasil x Costa do Marfim
 No dia 26 voltamos para Johannesburgo para assistir Argentina x México no dia 27 e Brasil x Chile no dia 28, ambos já pelas oitavas de final. E voltamos para Cape Town novamente no dia 29, para vermos Espanha x Portugal – jogo este que eu proclamava há dias como sendo talvez o jogo do ano e que acabou sendo, disparado, o jogo mais chato de toda a Copa!
Depois de passarmos alguns dias em Cape Town pegamos o carro rumo à Port Elizabeth para ver o favorito Brasil pegar a “fraca” Holanda pelas quartas de finais. Ainda me recordo de nosso querido Vladimir perguntando aleatoriamente aos holandeses que horas seus voos partiam de volta para a Holanda – obviamente antes do jogo. Depois do jogo os ânimos ficaram um pouco mais acirrados por motivos óbvios, com o álcool excessivo ditando as discussões em pauta entre nosso grupo, levando a filosofarmos a respeito de quem seria o melhor técnico, Dunga ou Maradona (ou quem seria o menos pior pelo menos…) e me levando a um discurso solitário onde manifestei meu desejo de retornar ao Brasil no dia seguinte – claro que mudei de ideia após mais ou menos 2 horas.
Vladimir, eu e Mauricio passando frio durante Argentina x México
Em frente ao Soccer City antes de Brasil x Chile (eu e Mauricio)
Pré-jogo do Brasil x Holanda (o Vladimir é o último da direita, do meu lado)

 

 Retornamos a Cape Town no dia 4 após passarmos dois dias dirigindo pelas regiões vinícolas próximas à cidade e fazermos um mini safari no Aquila Private Game Reserve. No dia 6 acompanhamos o que foi provavelmente o melhor jogo da copa, a semifinal entre Holanda x Uruguai. Saímos do jogo e fomos direto para o aeroporto, pegando um voo noturno para Johannesburgo, para então pegar um voo diurno de volta para o Brasil.

 

Domando leões em Johannesburgo (eu e Mauricio)
A viagem acabou não sendo o esperado, em relação as nossas expectativas de ver o Brasil mais uma vez campeão, mas foi sem dúvida uma das melhores viagens que fiz em toda minha vida! O clima de Copa do Mundo foi algo inigualável. Os sul-africanos estavam verdadeiramente felizes de estarem sediando a Copa do Mundo, orgulhosos de mostrarem seu país às pessoas de todo o resto do mundo e claro, logo abriam um sorriso cada vez que falávamos que éramos do Brasil. A organização, se não foi digna da de um país europeu, chegou bem perto. E a África do Sul é simplesmente linda!
Lembro-me de imaginar como seria bom poder viver uma experiência como essa no Brasil no distante ano de 2014. Mas quatro anos passados, optei por um semi-exílio para Los Angeles, de onde estou tocando um site que lancei há alguns meses, o MovingScripts, para compartilhamento de histórias de ficção. Gostaria de poder dizer que apenas o intenso foco em meu novo negócio me priva de ir ao Brasil para a Copa do Mundo, mas estaria mentindo. O sentimento neste momento é de moderada empolgação pela Copa do Mundo que se aproxima, misturada a vergonha e desilusão de ver como todo o processo preparativo para o evento aconteceu. Me esforçarei para curtir esta Copa tanto quanto o fiz em 2010, apesar de saber que isso é quase impossível.  Mas acho que estar longe do Brasil é um bom começo. Assim como é começar a planejar a viagem para Rússia em 2018 – partiu Mauricio e Vladimir?

 

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Carlos Frederico

Carioca e fanático por futebol, mora atualmente em Los Angeles onde fundou o site de compartilhamento de histórias de ficção MovingScripts.

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Sobre a autora

Olá! Meu nome é Patrícia Furlan e sou paulistana, publicitária, psicanalista e apaixonada por viagens! Aqui você encontra minhas dicas de roteiros, cultura, gastronomia e experiências de turismo.

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