Como montar o roteiro de fuga: mochilão para a Europa

Como montar o roteiro de fuga: mochilão para a Europa

Em janeiro de 2014 fiz um mochilão pela Europa. Tive pouquíssimo tempo para planejar a viagem – menos de um mês – e contei com a ajuda dos amigos que já tinham ido para lá.

Após 8 destinos, 9 vôos, 6 trens, 4 novas linhas de metrô para entender, 2 gripes, 1819 fotos, temperaturas de -6 a 11 graus e diversas ventanias de tirar o equilíbrio do corpo, eis que conto um pouco da minha experiência para vocês rs.

Veja algumas perguntas que surgiram na minha cabeça quando eu estava planejando:

1) Quantos dias ficar em cada país?

O primeiro passo é definir quantos dias de viagem você tem. Eu tinha 23 dias, sendo praticamente 2 de vôos ida e volta, portanto deixei mais dias para as grandes metrópoles e menos dias para as cidades menores. Claro que hoje eu faria alguns ajustes, mas acho que  ficou bem dentro do esperado.

Para montar o meu roteiro, pedi dicas para amigos que já conheciam a Europa. Além disso, outro fator implicava na minha viagem: eu faria as primeiras 3 cidades com uma amiga, ela voltava para o Brasil e eu partia para o sul da Europa para encontrar mais duas amigas e continuava o trajeto.

O meu roteiro ficou assim:

  • Londres: 5 dias
  • Amsterdam: 3 dias
  • Berlim: 4 dias

Foram 4 dias de Londres e 3 dias e 1/2 de Berlim com a Ju Rosa, 1 dia em Berlim encontrei meu amigo Pablo que mora por lá.

Quando a Ju foi embora, desci para Madrid e encontrei mais duas amigas que começaram o mochilão por Barcelona. Nesse momento eu fiquei em dúvida se de Berlim ia para Praga ou se descia para Madrid. Por causa do frio e também porque eu não queria fazer nenhum país sozinha, decidi ir para Madrid apesar da distância. E continuei:

  • Madrid: 3 dias
  • Paris: 4 dias
  • Bruges: 1 dia

De Bruges dormi uma noite em Bruxelas e no dia seguinte peguei um vôo para Dublin, destino que decidi nos 45 do segundo tempo porque o Du, meu amigo está morando lá:

  • Dublin: 1 dia
  • Bruxelas: 1/2 dia

Hoje eu mudaria 3 coisas: 1 dia a menos em Amsterdam, 1 a menos em Madrid e 2 a mais em Dublin. Mas como Dublin foi um encaixe, valeu a oportunidade. Além disso, se não fosse pela ansiedade de conhecer o maior número de lugares, eu teria feito uma programação mais prática com lugares próximos.

Como já tinha viajado em 2012 para Barcelona e Roma descartei essas cidades, mas são dois lugares que eu consideraria indo lá uma primeira vez, principalmente Barcelona.

2) Como vou me locomover entre os países? Avião ou trem?

O meu fator de decisão foi: o que é mais barato? Claro que para longas distâncias (Berlim para Madrid por exemplo), eu não tive escolha. Mas sempre avaliava quanto eu ia gastar e quanto tempo demoraria.

  • Indo de avião

Na Europa há cias aéreas low cost, algumas das mais conhecidas são EasyJet, Ryanair e Vueling. Eu consultava o melhor preço pelo e-Dreams e comprava. Porém, apesar da passagem ser muito barata você deve comprar o peso da sua bagagem. Só para citar um exemplo, em alguns trechos cheguei a pagar 30 euros a passagem e 40 euros pelo peso da mala (considerando 18kg). Se na hora do embarque sua mala pesar mais do que isso você paga a diferença, então veja o que mais compensa para você.

Preste também muita atenção ao comprar a passagem, porque algumas incluem 2 bagagens de mão pequenas, outras apenas uma bolsa pequena (é o caso da EasyJet). É cobrada uma taxa também se você quiser reservar o assento. Eu não reservei em nenhum dos vôos que comprei.

Dica valiosa 1: Por coincidência ou não, os assentos da saída de emergência ficam sempre vazios. Se você quiser trocar por conta do espaço maior, solicite à aeromoça. No caso da EasyJet, como nenhuma poltrona era inclinável, vale muito a pena.

Dica valiosa 2: Caso você pegue algum vôo que não tenha bagagem para despachar, leia o e-ticket corretamente e verifique se é necessário carimbar o seu bilhete no check-in, antes de entrar na sala de embarque. É o caso da Ryanair.

Sobre as cias aéreas, achei a Ryanair e Vueling muito ruins mesmo, mas usei apenas para vôos de no máximo 1h e meia. A Vueling eu usei da outra vez quando fui de Barcelona à Roma. A EasyJet para mim foi a melhor das 3 porque eles estavam com uma frota novinha de aviões.

Caso você esteja com fome é possível comprar alguns lanches dentro do vôo, mas não há nenhuma opção gratuita.

  • Indo de trem

Você pode consultar a disponibilidade das passagens através do site da Rail Europe. Porém, o trem de Londres para Amsterdam, eu encontrei mais barato direto no site da Belgian Rail. Nesse caso, você consulta as passagens por faixa de horário e escolhe as categorias (como se fossem as categorias do avião: econômica, executiva, etc).

O trem é infinitamente melhor do que as cias low cost, além de você não perder aquele tempo que é desperdiçado no aeroporto, pois eles saem pontualmente. Outra vantagem é o fato deles não pesarem a sua bagagem, então o excesso não importa.

Dica valiosa 1: Considerando que os trens seguem a pontualidade britânica, algumas estações possuem também a parte de validação dos passaportes antes do acesso à plataforma, além do raio-x da mala. É o caso da estação St Pancras em Londres por exemplo. O procedimento é bem mais simples do que o do aeroporto, mas vale a pena calcular um tempo extra de chegada à estação.

Dica valiosa 2: Não esqueça de verificar em qual estação você deve pegar o trem. As opções aparecem durante a pesquisa de compra. Considere que Paris e Londres por exemplo, possuem mais de uma estação de trem. Verifique para não chegar na estação errada ou selecionar uma opção muito longe da onde você está hospedado.

3) Como fazer os traslados do aeroporto / estação de trem até o hotel / hostel e vice-versa?

Essa pergunta eu respondia na última hora, considerando: qual era a distância a ser percorrida, em quantas pessoas estávamos e qual era o peso da minha mala (e o quanto eu estava disposta a carregá-la rs).

As respostas são simples: se você estiver em 2 ou 3 e a distância é curta, vá de táxi. Foi o caso de Bruxelas.

Se a cidade é cara e você quer economizar, vá de metrô. É o caso de Londres, Berlim e Paris.

Se a sua mala está absurdamente pesada e a distância a ser percorrida é longa, procure um serviço de Shuttle Service. Leia mais sobre esse serviço clicando aqui.

Lembrando que o transporte público na Europa funciona muito bem, então se for recorrer a essa opção você acaba economizando.

Vejam que eu já tinha: um mochilão, uma mala pequena na mão
e outra mochila menor que não aparece na foto rs.


4) Que tipo de mala levar?

Para alguns essa pergunta é meio óbvia: dur, é mochilão né?! rs. Mas se você me perguntar se eu usaria um mochilão de novo, minha resposta seria: não! rs.

Vejam os prós do mochilão:
Você não precisa fazer barulho pela cidade inteira por causa das rodinhas
É mais prático para andar no metrô, principalmente se for um horário de pico
Se você ficar em hostel, é mais fácil de guardar nos armários
Se você fizer algum trajeto com vôos, o mochilão é mais leve

Vantagens da mala de rodinhas:
Você não carrega o peso inteiro nas costas
É absurdamente mais prático na hora de arrumar a mala para o próximo destino
Você consegue carregá-lo, não importa o peso que ele esteja

Dessa vez eu fui de mochilão. Na ida ele estava pesando 12,5kg (sim, eu sou uma mulher básica...) e na volta quase 19kg (…mas que também adora umas comprinhas rs). O que significa que eu quase arrebentei minhas costas e no final da viagem era muito difícil carregá-lo. Quando voltar à Europa eu vou de mala de rodinhas ou tentar encontrar um meio termo: um mochilão com rodinhas por exemplo rs.


5) O que levar na mala?

O básico. Não dá pra viajar para tantos países com a casa nas costas, então já tenha em mente que você vai usar a lavanderia rs. Se você não tiver esse pique do mochilão, sugiro fazer poucos países por vez, ou então juntar muita grana, porque você vai gastar colega rs.

Eu fui no inverno e sou uma pessoa que sente bastante frio, então levei: 3 calças jeans, 2 calças para colocar por baixo (tipo meia calça mais grossa), 3 blusas fininhas, 2 blusas de malha, 2 lenços de pescoço, 1 blusa térmica, 1 jaqueta quente, 3 camisetas (acho que só usei uma, que era mais para sair a noite), 1 saia para sair a noite, 1 vestido para sair também, 1 pijama. Esse foi o meu básico e ainda descartaria as 2 de manga curta e só levaria 1 bota, 1 tênis e 1 chinelo para tomar banho (levei uma sapatilha a mais). Por lá ainda comprei mais 1 calça, 2 jaquetas quentes, 2 malhas, 2 cachecóis.

Se for no verão, melhor ainda porque as roupas são mais leves, e se você for homem, sorte a sua que também não sente tanto frio e não precisa levar 3 necessaires, secador, etc rs.

Mas não faça como eu que menosprezei os 11 graus da Europa e acabei comprando um monte de roupa por lá. 11 graus na Europa geralmente tem sensação térmica de 9, com ventos congelantes.

Essas são as dicas para você começar a montar o seu roteiro! A pergunta que mais deixa dúvidas é:

6) Quanto devo levar em dinheiro? 

Considero essa pergunta muito pessoal e a mais difícil de todas porque depende muito do seu estilo de viagem e com quem você está indo (namorado, família, amigos ou sozinho).

Minhas preocupações em uma viagem com os amigos são: quais lugares eu vou conhecer e se vou poder fazer tudo (ou quase tudo) que tenho vontade. Não me preocupo em gastar fortunas em hospedagem ou conhecer os restaurantes mais caros do local, se você é esse tipo de viajante o cálculo deve ser feito com base nas suas viagens anteriores: quanto você costuma gastar por dia?

Se você quer fazer uma viagem economia total, o que uma amiga minha fez e chamou de “budget da mendiga” (rs), comendo sopa enlatada no jantar para economizar, acredito que você gaste no máximo 60 euros por dia.

Agora se você fica no meio termo, calcule entre 100 / 150 euros por dia. Se você não for de gastar muito com besteira esse valor vai ser até alto demais. Mas faça uma avaliação das suas viagens anteriores ou estipule um valor total e divida entre os dias da viagem, lembrando sempre de controlar o valor diário para não se perder.

Terminando o seu roteiro é só partir pra Europa e desfrutar desse destino incrível!

Patricia Furlan

Publicitária, psicanalista e apaixonada por viagens.

Comentários

Comentários

Posts Relacionados

Leave a Comment

Sobre a autora

Olá! Meu nome é Patrícia Furlan e sou paulistana, publicitária, psicanalista e apaixonada por viagens! Aqui você encontra minhas dicas de roteiros, cultura, gastronomia e experiências de turismo.

Booking.com
Reserva Agora 300x250